Um dia no abrigo

Comecei o voluntariado animal e presencial impulsionada pela querida Fátima Cunha Velho.

Aceitei o desafio como forma de me desafiar, ultrapassar alguns bloqueios, pelo amor que tenho aos animais e pela enorme vontade de puder levar Reiki onde é preciso.

Na verdade não sabia o que esperar, se por um lado, tinha receio de encontrar animais muito sofredores, por outro tinha a ilusão que chegava lá e era recebida com lambidelas e saltos de alegria; que me sentava e vinham a correr pedir Reiki.

Foi amor à primeira vista, adorei conhecer aqueles seres, e claro, nem todos vieram a correr.

No primeiro dia conheci todos os cães, e durante umas 2 ou 3 semanas nem consegui ter tempo para os gatos. Uns receberam-me bem e aceitaram as minhas mãos, outros só à distância. Alguns tiveram uma recuperação rápida outros mais demorada, e alguns ainda temos um longo caminho a percorrer.

Os gatos são maravilhosos, mesmo os que têm mau feitio, é sempre um prazer ser recebida com uns miados de quem está pronto para mais uma sessão e quer ser o primeiro.

Estar no abrigo AMIRA – Associação Mafra Intervenção e Resgate Animal deu-me a conhecer o trabalho maravilhoso e abnegado que é feito por estas pessoas que se dedicam com amor, dedicação e resiliência para o bem-estar animal. Não é uma gestão fácil, os dias são imprevisíveis e toda ajuda é pouca, as decisões têm que ser tomadas com certezas e coragem.

É triste pensar que os abrigos existem porque há abandono (porque estão velhos, doentes ou já não servem para procriar); maus tratos, ou porque os donos idosos faleceram. Cada animal tem uma história, alguns levam tempo a ultrapassar o trauma que sofreu, outros nem nunca recuperam.

Já verti lágrimas de tristeza e lágrimas de felicidade, já fui mordida e acariciada com abraços e lambidelas.

Já deixei de ser só a voluntária de Reiki, já faço parte da família.

Marta Sanchez