Órion

Tudo começou com um pedido de interajuda de várias associações com um gatinho de 2 meses que tinha fama de Bad Boy.

Chegou à clínica veterinária onde trabalho armado em “menino” rebelde que ataca todos. Entretanto, apresentou-se com sintomas sérios de calicivírus. 

As úlceras na boca eram de tal forma graves que mal se tocava com a seringa para o alimentar, toda a boca dele, se transformava numa poça de sangue. Reiki intenso durante o fim de semana, uns bons amassos de mimos, e medicação reajustada.

Passadas 24 h começou a dar os primeiros sinais de quem queria tentar comer e 48h depois, as primeiras lambidelas. Alguns dias depois, os primeiros miados e brincadeiras.

O Órion passou por uma intensa aplicação Reiki. 

A nível clínico tinha melhorado imenso, apesar de ter desenvolvido outros problemas, nomeadamente a nível articular que o impossibilitava de caminhar normalmente e pular. No entanto, continuava arisco e cheio de medo de quem se aproximasse. 

Acabou por ficar em FAT na minha casa para diminuição dos níveis de stress de viver dentro de uma box. Rapidamente fez 4 amigas felinas, mas o ser humano para ele, ainda era um bicho papão. Durante alguns meses, tentou-se arranjar um Tutor à sua altura, mas o querido mês de Agosto que tanto atrai aqueles que desesperam por férias, fez com que se desesperasse por um aumento do número de adoções responsáveis.

Mais uns tempos de Reiki, mimos e comida boa e os primeiros sinais de tréguas surgiram. E com elas, um enorme amor. Parece que eu fui adotada! E o meu lar, se transformou no lar dele.

O Órion de hoje é um gato relativamente saudável com ainda ancas bailarinas, mas pula, brinca, come e pede mimos. Um gato bastante diferente com aquele olhar de coruja que derrete corações de quem os vê.

Catarina Isabel C. Pinto