Eva,uma cadelinha resgatada de uma Puppy Mill

Ao longo de 8 Anos de Voluntariado, tenho dado Reiki a centenas de Animais, colaborando com muitas pessoas, nomeadamente com Grupos de Resgate, que muitas vezes resgatam Animais em risco de vida dos locais onde se encontram por maus tratos ou negligência.

Sim, porque os animais também correm risco de vida por falta de lhes prestar cuidados e assistência.

Foi o que aconteceu entre os meses de Abril e Maio deste ano, tendo a RX Sphynx Cat Rescue, retirado de uma Puppy Mill (Fábrica de Filhotes) – cerca de 300 cães de várias raças: caniches, chihuauas, pinschers, yorshires, entre outras.

Uma Puppy Mill é um local onde cães e cadelas são usados para procriar e onde não recebem qualquer carinho, pois o objetivo é vender os seus filhotes a pessoas que querem cães de raça.

Muitos destes cães e cadelas da mesma família acabam por se reproduzir, com problemas inerentes à consanguinidade, que podem ser de vários tipos – físicos, psicológicos ou outros.

Devido à dimensão deste resgate e às condições em que viviam, a retirada dos Animais teve de ser realizada em várias fases, tendo sido entregues a Famílias de Acolhimento Temporário- FAT’s.

As FAT, são pessoas que recebem, na sua casa e no seio da sua família -humana e animal- animais que vêm de situações variadas, tratando deles como tratam os seus patudos- muitas vezes até com mais cuidado devido aos problemas que trazem (físicos ou emocionais).  Podem ser-lhes entregues por questões de idade, saúde ou outras.

As FAT são de uma enorme importância, pois fazem a diferença na vida de inúmeros Animais de forma anónima. Muitas delas, acolhem vários Animais ao mesmo tempo.

Foi então na sequência deste resgate e tendo tomado conhecimento que seriam necessárias Famílias de Acolhimento Temporário, que me propus a ser uma delas, pedindo para que o animal que acolhesse fosse um caso difícil, pois confiei que a aplicação de Reiki o poderia ajudar bastante.

Segundo o Grupo de Resgate, seria um caso complicado, já que no dia do resgate, mordeu algumas pessoas. E lá fui eu num Domingo de Maio a casa de uma outra FAT, que tinha recebido vários animais do mesmo local, buscar uma mini-cadelinha branquinha, de raça chihuaua.

Quando cheguei a casa, coloquei-a num local tranquilo, longe da família canina, abri a porta da transportadora e fiquei junto dela a enviar-lhe Reiki, sem lhe tocar e a uma certa distância durante muitos minutos, percebendo que ia acalmando.

O processo foi repetido várias vezes nos dias seguintes e aos poucos, cá em casa fomos tentando tocar-lhe para lhe dar festas, percebendo a sua grande recetividade e abertura, apesar do medo que sentia. 

O passo seguinte foi pegar-lhe ao colo, tendo também sido aceite sem qualquer reação negativa. Nos dias que se seguiram, aprendeu a saltar para o sofá e é muito engraçado vê-la como a dar balanço para subir.

Agora não perde uma oportunidade de saltar para o nosso colo e já confia em nós.

Decidimos adotá-la e dar-lhe o nome de Eva.

A Eva é uma cadelinha muito querida e meiga, que só quer mimos e companhia a quem espero ter dado uma nova vida, longe de anos de negligência e exploração do seu corpo muitas vezes até à exaustão.

Em Portugal, há inúmeros animais de companhia acolhidos em Abrigos, que esperam uma família de alma e coração, contudo, muitas são as pessoas que compram “cães de raça” , alimentando assim situações como a querida Eva vivia.

Há, cada vez mais pessoas que decidem ter cães e cadelas para procriação e venda das ninhadas, para obtenção de rendimento extra, contudo não dispõem de conhecimentos para o fazer. Também há inúmeras pessoas que compram esses animais de RAÇA, sem qualquer conhecimento, das suas características, culminando com o abandono desses animais.

É por todas estas razões que convido quem estiver interessado em adotar um Animal de Companhia a deslocar-se a Abrigos, Canis ou Gatis Municipais, onde existem animais de várias cores, idades, tamanhos e personalidades e onde se pode encontrar um companheiro (ou vários) para a vida, capaz(es) de dar imenso Amor e Companheirismo.

Fátima Cunha Velho